domingo, 11 de março de 2007

Um parêntese...

Sobre a visita de Bush ao Brasil e outras reflexões
...de quem está de longe...

Esta experiência de estar longe do Brasil tem me apresentado sensações muito interessantes, sobretudo, no sentido de poder ver “de fora” o que acontece aí dentro de minha terra “mãe”. E este ‘último’ acontecimento, então, me faz ter o desejo de escrever para partilhar minhas impressões – talvez a palavra mais correta seja emoções, mas enfim!

Apenas o fato de nosso Excelentíssimo Presidente Lula receber o Bush em nossa casa já seria suficiente para suscitar nossa perplexidade (ainda! Ainda fico perplexa com as posições dele...), mas não é só isso... Ele o recebeu para ajudá-lo (!!!) a garantir seu controle, talvez na única área que o tem feito perder o sono – graças ao Chávez –, que é a dos biocombustíveis! Inacreditável que seja essa a aliança que nosso Presidente de ESQUERDA (?!?!?!?!?!?) esteja fazendo em seu segundo mandato vivido graças ao voto popular...

Isto já seria o bastante para me motivar a partilhar com vocês minhas reflexões, mas por incrível que pareça foi algo um pouco mais adiante que determinou minha disposição para a escrita deste desabafo.

Além de acompanhar estas notícias por diferentes veículos de informação (brasileiros e internacionais) na Internet e perceber o quanto a nossa mídia brasileira é tendenciosa... mascarando fatos, encobrindo aspectos, vejo por aqui brasileiros que se incomodam ao ver acadêmicos franceses chamando o Brasil de “fazenda do mundo”... E aí está meu motivo principal de catarse: E não é o que somos???????????????????? Como bem disse meu cunhado hoje (pelo MSN!), temos que tomar cuidado para não voltarmos a ser uma monocultura de cana-de-açúcar... não para adoçar nossas vidas, mas para saciar os EUA!

E o que me espanta é que se incomodam com este rótulo, mas contribuem com outros... Corroboram sistematicamente a idéia de que brasileiro é preguiçoso, só gosta de farra, e trabalha pouco. O carnaval é um exemplo constante que BRASILEIROS usam para reiterar esses absurdos.

Pois bem, estou morando na França e empiricamente tenho experimentado as ‘novidades’ desta oportunidade. Tenho observado de tudo um pouco e vez por outra me pego ‘surpresa’ com algumas coisas...

Como tem uma escola de Ensino Fundamental I (do que seria em nosso sistema, né?) aqui perto de casa, este tem sido um dos principais campos de minha pesquisa (!)... E observei que as aulas NÃO começam às 7h30min da manhã e ainda assim são os pais das crianças que as trazem para a escola. Não há porque começar tão cedo, porque as pessoas não têm que madrugar no trabalho...

Cláudio (para quem não sabe, meu marido e ‘responsável’ por esta estada) demorou a conseguir regularizar sua situação na Universidade, pois chegamos na semana anterior ao Natal e esta estava fechada em função das festas, só reabrindo na SEGUNDA SEMANA de janeiro;

Sim, porque além das férias de verão – como as nossas – os franceses têm umas 4 ‘férias’, de uns dez dias cada, durante o ano...

É lógico que não estou dizendo que os franceses é que são preguiçosos. CLARO QUE NÃO. Estou apenas dando três breves exemplos de como o povo dessa terra trabalha e tem alguns direitos – como o de tomar café com sua família e levar seus filhos ao colégio – assegurados. Do mesmo modo acho importantíssimo ressaltar que nem todos os franceses são assim afortunados, pois os que têm origem nas ex colônias (muitos!) são tão explorados como nós por aí...

Só quero destacar que nosso povo trabalha e muito! Cada um de nós trabalha e muito! E ainda assim não temos quase nada assegurado... Muitos de nós não podem tomar café com sua família... e tantos, mesmo trabalhando duro, mal têm o café para tomar...

Assim, este escrito tem a forma de desabafo e de repúdio aos que ainda acreditam – como os portugueses colonizadores, que pensavam serem os índios indolentes – que somos preguiçosos...

Neste início de vivência aqui só tenho uma certeza: vou voltar mais brasileira do que nunca!

Um comentário:

Silvinha disse...

Oi, Rê! Adorei o blog! ;-) Beijão!